quarta-feira, 10 de maio de 2017

Desejo de (A)mar

Caminhava sem destino pelas ruas, procurando resolver o louco emaranhado de pensamentos que não a deixavam ver. Passou por avenidas, ruas, ruelas, andou em contra mão, parou. Na praia, naquela praia, sempre aquela praia...

«Não percebo, não entendo, é inexplicável, digam-me porquê?!?»
Soltou este grito desesperado, mas apenas obteve como resposta o choro das gaivotas e a rebentação furiosa das ondas.

Poderá alguém viver apenas da loucura da paixão? Era este o seu pensamento, aquele que confundia todos os outros e entrava em conflito com todos os desejos e sonhos que foi construindo. Desejava o politicamente incorrecto. O vermelho carmim, quando a sua vida devia ser de um branco cristalino. Odiava-o por ter entrado sem autorização na sua vida e por tê-la transformado em alguém que ela não conhecia e não queria ser.
Odiava-o porque tinha descoberto os seus caminhos, o seus segredos... Odiava-o porque sabia que agora mais ninguém saberia tocá-la como ele, viessem 10, 100, 1000 homens depois dele.
Odiava-o porque só ele sabia como fazê-la vibrar, enlouquecer, voar, feliz, sem medo das consequências e do que os outros pensam...



E de repente caiu a noite e ela já só conseguia ver a intermitência do farol. Já tinham passado horas desde que fugira dele, dos braços dele, dos lábios dele, do corpo dele e do que ele significava.
Tinha frio, estava gelada, quase inerte quando ele chegou.
«Sabia que te encontrava aqui...»
«Sabes... é que sou doida por ti...
...não posso fugir.»


Maio/2015

sábado, 15 de abril de 2017

Conversas ...



Ele – Sabes o que me apetecia??
Ela – Diz-me sem rodeios
Ele – (suspiro) .....dormir contigo esta noite...proporcionar te momentos de puro prazer …
Ela – Demora muito a chegar?
Ele – 5 minutos e estou ai

(o resto conto noutro dia … ou talvez não)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sabes(?)

Sabes(?)
Gosto de homens que despertem o animal escondido em mim, que me tirem do sério e me façam enlouquecer.
Gostos de homens que encostem á parede, que me agarrem com força e não me deixem escapar.
Gostos de homens com atitude, que sabem o querem e que lutem por isso, que não se fiquem pelas palavras, que passem à acção.
Gosto de homens que sejam cavalheiros e bandidos ao mesmo tempo.
Gosto de homens que façam gemer, gritar e até suplicar por mais.

Sabes (?) gosto de homens com atitude

domingo, 9 de abril de 2017

Quando em TI penso ...


Desejo teu beijo quente
Teu olhar
Teu toque indecente...
Tua voz cheia de malícia
Tuas mãos que pela pele deslizam
Quando em ti penso …
Corpos que se tocam
Pensamento ausente...
Desejo crescente
Que por mais que não queira
Domina-me a mente
Apoderando-se do tempo
E do pensamento
Transformam a realidade
Em que me perco
Quando em ti penso …

[e por mim navego] 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Clandestino (parte I)

Conhecemos nos por acaso num desses jantares de empresa, uma troca de olhares disfarçados e sorrisos tímidos, um aproximar prudente, uma troca de palavras que se foram intensificando ao longo da noite … no final a troca de cartões e um olhar que pedia mais … muito mais …
Na manhã seguinte um bom dia inesperado e um sorriso que se solta … e a conversa que se alonga ao longo do dia, as horas que correm sem dar conta … e quando menos esperava surgiu o convite … um almoço.
Confesso que estava nervosa. Apesar de ter a sensação que já o conhecia há imenso tempo, a verdade é que nem há um mês que nos tínhamos conhecido e esta era a primeira vez que nos íamos encontrar num contexto pessoal. Estava nervosa por saber o quanto ele não perdia tempo e ia directo ao assunto. Além disso, já tinha percebido que ele era do género de conseguir tudo o que queria e isso assustava-me, principalmente pelo facto de ele ainda ser casado ... apesar de não fazerem vida a dois … ele era casado e isso assustava-me … pois não sabia como lidar com este sentimento que se instalava.
Enfim, sentia-me presa no meu mundo e queria abrir as asas e voar! No entanto, também tinha perfeita consciência de que estava emocionalmente fragilizada e carente, o que podia abrir caminho a algo mais do que eu - conscientemente - queria (inconscientemente, talvez eu estivesse mesmo à procura de uma grande aventura ou até de uma paixão arrebatadora, não sei).
Marcamos encontro num café e quando eu cheguei, ele já lá estava. Quando o vi, lembro-me de ter pensado no quanto ele era fantástico! Diferente dos homens com quem eu lidava no dia-a-dia. Essa diferença veio a revelar-se ainda mais no seu grau de inteligência. Fiquei fascinada desde o início: era lindo de morrer, cativante, extremamente inteligente e muito divertido. Almoçamos juntos e de seguida fomos, sob uma leve chuva, novamente para o café. Lembro-me de querer saber tudo a respeito dele, de absorver cada palavra que ele dizia. 


Lembro-me também de me rir imenso (não só por, como disse, ele ser super divertido, mas também - e se calhar sobretudo! - por nervosismo) e de falar sem parar. Aquele homem lindo e inteligente teve, além do mais, o dom de me pôr a falar sobre mim, sobre as minhas dúvidas, angustias e anseios. O tempo passou a voar e depressa (pelo menos assim nos pareceu) chegou a hora de irmos cada um para seu lado. Prometemos, voltar a encontrar-nos em breve e eu dei comigo a pensar, no caminho para casa, que ele não me saia da cabeça... Não, não podia ser!  "Ah, tem calma! Estás apenas ainda sob o efeito da sua presença inebriante... Isto passa, vais ver!" Mas uma certeza eu tinha também. Apesar (ou através) da minha timidez e insegurança, ele também ficara balançado, também tinha ficado pelo menos ligeiramente fascinado... No que é que me estaria eu a meter?!...

(continua amanhã ... talvez)